O que significa para ti ser celíaco? by Elena Bau
por Baia Food pt-PT Feb 21, 2025
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Hoje, 27 de maio, celebra-se o Dia Nacional do Celíaco e, desde a Baía Food Co., queremos aproximar-vos de uma realidade vivida em Espanha por mais de meio milhão de pessoas.
O que é?
A doença celíaca é uma intolerância alimentar ao glúten. Um dos principais inconvenientes para estas pessoas é a proibição de consumir alimentos que contenham glúten ao longo de toda a sua vida. Por exemplo, massa, pão, cereais e cerveja. E mesmo muitos outros que não o contêm na sua origem, mas aos quais foi adicionado durante o processamento. Por exemplo, arroz, molhos, frutos secos e enchidos. Se consumirem algum destes produtos, o glúten presente nos alimentos danifica o revestimento do intestino delgado, o que, por sua vez, impossibilita o organismo de digerir e absorver adequadamente os alimentos. Esta situação, a longo prazo, implica malnutrição crónica, com défices de calorias e nutrientes essenciais.
Outro dos principais inconvenientes da doença celíaca é que os produtos sem glúten são mais caros do que os convencionais e não se encontram facilmente. Isto deve-se ao custo acrescido da sua produção, mas não faz muito sentido transferi-lo para o consumidor final com preços mais elevados.
O que reivindicamos?

Por isso, juntámo-nos à nossa amiga Elena Bau que nos conta como, através da sua experiência, foi melhorando e aprendendo a conhecer o seu corpo até estar totalmente adaptada às intolerâncias de que padece. Desde aqui agradecemos a sua colaboração e expressamos que é um grande exemplo para todos nós.
Quando te apercebeste de que eras celíaca? Porquê? Como te foi diagnosticado? O que é a primeira coisa que te passa pela cabeça quando te dão a notícia?
Elena: Não me lembro de mim sem uma dor de barriga. De facto, eu pensava que era normal e que, tal como a mim, a toda a gente lhe doía depois de comer. Fui a muitos médicos durante muitos anos e suponho que, em algum momento, deitei a toalha ao chão, deixei de ir em busca de uma explicação e decidi viver com essa dor. Nos últimos anos, com o stress, as minhas dores tinham piorado e, depois de andar aos tropeções novamente por mais uma ou outra consulta, encontrei um médico, o Dr. Vigaray, e acho que não fiz nada melhor na minha vida! Passou um ano desde então e, embora tenha custado muito chegar ao meu diagnóstico porque tinha outras coisas (intolerância à frutose, anisakis, histamina, helicobacter pilori, sobrecrescimento bacteriano...), finalmente posso dizer, um ano depois, que já praticamente não tenho desconforto depois das refeições. Quando soube que não podia tomar glúten, já me tinham diagnosticado a intolerância à frutose e, embora ser celíaca, ou ter qualquer outro problema que te restrinja na alimentação seja complicado de gerir, o mal menor era o do glúten. Temos uma cultura que gira em torno de comer, beber, de estar com a tua gente a beber uma cerveja, um vinho. Não poder escolher é difícil, sobretudo quando sabes que é para a vida toda. Acho que a sociedade avançou muito no que toca a tentar consciencializar para a doença celíaca, mas ainda há muito por fazer. Não só com isto, mas também com muitas outras intolerâncias. E quando digo consciencializar, não digo que quando fores a um restaurante assinalem no menu os pratos que têm glúten. Falo de empatia, falo de tentar perceber o que significa que uma pessoa vá, no seu tempo livre, jantar, a uma festa ou beber um vinho e, em algum momento, esteja a sofrer ou a pensar que, talvez, não possa comer nada. Que prefira não dizer nada para não incomodar os outros, que não queira condicionar. Acho que aí está grande parte do trabalho, porque todos os dias há mais pessoas com restrições alimentares e isso pode acontecer a qualquer um. No meu caso, a frutose complica-me muito mais, isso nem aparece nos menus dos restaurantes...
Que mudanças deves levar a cabo no teu dia a dia para te adaptares a esta nova situação? Adaptar-se às mudanças é sempre difícil, como enfrentaste tu esta fase inicial?
