O óleo de coco é um alimento benéfico ou “veneno puro”?
por Baia Food pt-PT Feb 21, 2025
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Desde os anos 70, tem sido atribuído um conjunto de efeitos adversos ao consumo de gorduras saturadas. No entanto, nos últimos anos, foi demonstrado cientificamente que tanto o açúcar como as gorduras processadas (hidrogenadas e trans) são um fator de risco para problemas cardíacos.
Desmistificando a ideia de que as gorduras saturadas são más
Para entender esta crença, temos de recuar até 1970, quando Ancel Keys, fisiologista norte-americano, publicou o seu estudo original intitulado Coronary heart desease in seven countries (Doença coronária em sete países). Nele foram analisados os estilos de vida de mais de 10.000 homens com idades entre os 40 e os 59 anos. Esta população foi selecionada em 7 países: Itália, Grécia, Finlândia, Holanda, Jugoslávia, Estados Unidos e Japão.
Nele mostrava-se que quanto maior o consumo de gordura saturada, maior a mortalidade por doença cardiovascular. O problema? Apenas foram mostrados 7 países dos 22 de que dispunha de dados. Caso contrário, o gráfico teria sido muito diferente e as gorduras saturadas não teriam sido demonizadas.

Gráfico comparativo dos resultados do ensaio de Ancel Keys com todos os países (à esquerda) e apenas os sete iniciais (à direita)
Desde então tem sido promovida a redução do consumo de gorduras, especialmente das saturadas. Para obter alimentos palatáveis, a indústria alimentar substituiu-as por açúcares e hidratos de carbono, e por um grande número de novos aditivos artificiais.
A mudança na alimentação da população norte-americana, que reduziu o consumo de ovos, leite inteiro e carne para cumprir as novas recomendações dietéticas, resultou num aumento exponencial das patologias que se pretendia combater. Em 2014, esta meta-análise publicada na revista Annals of Internal Medicine acabou finalmente por desfazer a crença de que reduzir o consumo de gorduras saturadas produz uma redução do colesterol no sangue. De facto, atribuiu-se o aumento dessas patologias a um maior consumo de hidratos de carbono e açúcares industriais, que demonstraram aumentar o LDL ou “colesterol mau” sem aumentar o colesterol “bom” ou HDL, como fazem as gorduras saturadas.
Neste sentido, a revista TIME publicou em junho de 2014 um artigo intitulado The truth about fat (A verdade sobre as gorduras) que desfez a crença de que as gorduras saturadas eram prejudiciais e concluiu que, em caso algum, eram as culpadas da epidemia de obesidade e de doenças cardiovasculares de que os Estados Unidos (e o resto do mundo) padecem nos últimos anos.

Três coqueiros (Cocos nucifera) palmeiras da família Arecaceae
O que é o coco e o que é o óleo de coco
Nos últimos dias temos podido ler muitos artigos e manchetes nos meios de comunicação sobre este alimento e, desde a Baïa Food Co., quisemos dar a nossa visão sobre este tema.
O coco é um fruto tropical proveniente do coqueiro, conhecido cientificamente como Cocos nucifera. Esta palmeira é atualmente a mais cultivada a nível mundial. Pertence à família das Arecaceae e, no seu estado natural, pode chegar a crescer até 30 m ou mais de altura.
Antes de mais, importa referir que o óleo de coco a consumir deve ser sempre óleo virgem extra prensado a frio e, se possível, biológico. Obtém-se a partir da prensagem a frio da polpa branca do coco, sem utilização de qualquer tipo de produto químico.
É composto em quase 90% por gorduras saturadas, sendo a maioria delas os benéficos ácidos gordos de cadeia média (MCFA – Medium Chain Fatty Acids). Destes ácidos gordos, aproximadamente 45% é ácido láurico (o único alimento natural que contém mais ácido láurico do que o óleo de coco é o leite materno).
O óleo de coco: um alimento benéfico ou puro veneno. Créditos do vídeo Baïa Food Co.
O óleo de coco encontra-se na sua forma líquida a partir dos 22º C de temperatura. Abaixo disso tende a solidificar-se com maior intensidade, quanto mais baixa for a temperatura. As suas propriedades não se alteram ao passar do estado sólido para o líquido nem vice-versa. A sua coloração é branca no estado sólido e transparente, ligeiramente amarelada, no estado líquido. A sua acidez está abaixo dos 2%.
Apesar do seu elevado valor nutritivo e energético, não nos devemos assustar, porque, no âmbito de uma alimentação saudável, pode tornar-se uma excelente fonte de gordura saturada benéfica para o organismo.
Como referimos anteriormente, o seu perfil nutricional é composto maioritariamente por ácidos gordos de cadeia média (MCFA ou MCTs), entre os quais se destacam o ácido láurico, seguido do mirístico e do palmítico. O ácido láurico, segundo uma meta-análise realizada pela Universidade de Maastricht chamada Effects of dietary fatty acids and carbohydrates on the ratio of serum total to HDL cholesterol and on serum lipids and apolipoproteins: a meta-analysis of 60 controlled trials se caracteriza por ter "um efeito mais favorável sobre o colesterol HDL total do que qualquer outro ácido gordo [examinado], seja saturado ou insaturado". Além disso, as propriedades antimicrobianas do ácido láurico estão suportadas por mais de 250 publicações científicas no portal de referência Pubmed.

Polinésio a trepar um coqueiro para recolher os cocos
Propriedades e benefícios do coco e do óleo de coco
Michels também comentou na sua polémica conferência que não existia qualquer evidência científica que demonstrasse que o consumo de óleo de coco pode ser benéfico para a saúde. Aqui ficam alguns benefícios apoiados por estudos de prestígio que demonstram que não é assim:
- AJUDA A QUEIMAR GORDURAS: Este estudo da Universidade de Columbia descobriu que consumir regularmente óleo composto por MCFA ou MCTs faz com que o corpo queime gorduras e perca peso sem aumentar o colesterol no sangue nem elevar o risco de doenças cardiovasculares.
- MELHORA A CAPACIDADE COGNITIVA: Outro estudo da Universidade de Yale conclui que o consumo de MCFA melhora a capacidade cognitiva e preserva as funções cerebrais em pacientes diabéticos hipoglicémicos tratados com insulina.
- AJUDA A REDUZIR A GORDURA VISCERAL: Este estudo de 2011 conclui que o óleo de coco ajuda a reduzir a gordura visceral, especialmente em homens e sem qualquer efeito nocivo sobre o perfil lipídico.
- MELHORIA DA MEMÓRIA DE CURTO PRAZO EM PACIENTES COM ALZHEIMER: Este estudo científico de 2009 demonstra que os pacientes com alzheimer melhoram a memória de curto prazo ao tomar óleo de coco.
- PODER ANTIMICROBIANO: Este estudo do ano 2000 destaca o poder antimicrobiano do óleo de coco.
- AJUDA A PREVENIR A CÁNDIDA: Um ensaio científico de junho de 2007 conclui que o óleo de coco ajuda a prevenir a candidíase.
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TEM EFEITO ANTI-INFLAMATÓRIO E ANALGÉSICO: Este estudo in vitro de fevereiro de 2010 destaca o efeito anti-inflamatório e analgésico do óleo de coco.
Cocos frescos recém-colhidos
Conclusões
Desde a Baïfa Food Co. recomendamos que sejam críticos com toda a informação que lêem na internet, nos jornais e na televisão. Não deixem que vos imponham um critério; antes, construam o vosso próprio.
Não se esqueçam de que os meios de comunicação social vivem da atenção das massas: leiam em profundidade, não fiquem pelo título e tirem sempre as vossas próprias conclusões.
Neste caso, decidam vocês mesmos se o coco e o seu óleo são “puro veneno”, como diz a Prof. Karin Michels, ou antes um alimento que pode aportar benefícios nutricionais cientificamente comprovados.
