No le creas a todos los expertos: Jerarquía de evidencia científica

Não acredite em todos os especialistas: Hierarquia de evidência científica

por Baia Food pt-PT Jan 17, 2019

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A ciência é a ferramenta que permitiu ao ser humano compreender o mundo que o rodeia e ser capaz de aplicar tudo o que aprendeu em seu benefício.

Os avanços da ciência são fundamentais, uma vez que influenciam todos os aspetos da vida, desde encontrar tratamentos para doenças até descobrir soluções para os desafios ambientais e poder viver de forma sustentável.

A ciência não é má nem boa por si mesma; isso dependerá da sua interpretação e dos fins com que é utilizada. Por outro lado, SEMPRE será necessário, enquanto sociedade, aproximarmo-nos da ciência para termos os conhecimentos necessários e escolher entre todas as opções que temos, sejam elas pessoais, políticas ou profissionais.

Desde a Baía queremos convidar-te a aproximares-te do fascinante mundo da investigação.

Com tanta informação disponível hoje em dia, é perigoso basear-se em opiniões e dados erróneos e é por isso que queremos ensinar-te como procurar a melhor evidência disponível.


COMO SE CLASSIFICA A EVIDÊNCIA CIENTÍFICA?

A evidência científica classifica-se em função do desenho dos estudos de onde provém.

Isto facilita a procura da melhor evidência disponível, uma vez que lhe confere um valor hierárquico que funciona como guia para a tomada de decisão. Com base nesta evidência, deverá ser possível emitir uma recomendação assente na robustez da evidência que a sustenta.

Em 1979 foi criada a primeira hierarquização da evidência pela Canadian Task Force on the Period Health Examination para a avaliação de medidas preventivas.

Desde então, tem havido um grande aumento de propostas e classificações para hierarquizar a evidência e os seus graus de recomendação. Existem 11 propostas que são as mais utilizadas atualmente (CTFPHC, Sackett, USPSTF, CEBM, GRADE, SIGN, NICE, NHMRC, PCCRP, ADA e ACCF/ AHA) mas, para não te confundirmos, resumiremos a de Sackett.


CLASSIFICAÇÃO DA EVIDÊNCIA SEGUNDO SACKETT

Esta classificação foi proposta pelo epidemiologista David L. Sackett e é a que geralmente se utiliza. Classifica a evidência de 1 a 5, sendo 1 a “melhor” evidência e 5 a “pior ou menos boa”.

A maioria dos especialistas concorda que, quanto mais alto estiverem na pirâmide, menor é a probabilidade de a metodologia e os resultados serem tendenciosos.

As meta-análises e as revisões sistemáticas estão no topo da pirâmide, enquanto as opiniões de especialistas e a experiência derivada de anedotas estão na base.

  1. As revisões sistemáticas caracterizam-se por utilizar uma metodologia científica, transparente e detalhada, na qual são recolhidos, revistos e avaliados os estudos e as evidências disponíveis sobre uma questão concreta, sendo os resultados sintetizados. Uma meta-análise difere de uma revisão sistemática por utilizar métodos estatísticos para combinar os resultados dos estudos.
  2. Os ensaios aleatorizados controlados, também conhecidos como ensaios clínicos aleatorizados. Os participantes são atribuídos aleatoriamente a grupos separados para poder comparar os tratamentos ou intervenções, sendo um deles o controlo, que pode ser um placebo, nenhuma intervenção ou a intervenção padrão.
  3. Ensaios de coorte são um tipo de investigação observacional com o propósito de determinar a associação entre fatores de exposição e o desenvolvimento do evento de interesse, tanto em prospetiva como em retrospetiva (história natural, sobrevivência, fatores e prognósticos).
  4. Estudos de casos e controlos comparam dois grupos de pessoas: um com a doença ou afeção e outro grupo semelhante sem a doença ou afeção, sendo depois comparados. É diferente de um estudo de coorte, uma vez que neste caso os indivíduos são selecionados de acordo com a doença e observa-se o passado, enquanto num estudo de coorte são selecionados de acordo com a exposição e espera-se para ver se a doença ou afeção se desenvolve ou não.
  5. Estudos transversais são estudos observacionais em que se analisam variáveis recolhidas num determinado momento numa população específica.
  6. Editoriais e opiniões de especialistas: em contextos médico-científicos, a opinião pessoal dos profissionais deve ter pouca relevância, uma vez que confiar em opiniões pessoais é perigoso, especialmente se afirmarem ser "especialistas" sem estudos científicos que o comprovem.

CONCLUSÃO

Estarias a mentir a ti mesma se pensasses que, para cada pergunta que tenhas, vais recorrer à procura de evidência científica e classificá-la segundo Sackett (embora deixe-me dizer-te que esta seria uma ideia incrível).

O que queremos que retires disto é a importância de nos basearmos em dados e estudos científicos da máxima evidência. Hoje em dia há "especialistas" em cada esquina e, muitas vezes, ouvimo-los e tomamos a sua informação como lei quando, na verdade, ocupam o lugar mais baixo dentro da Medicina Baseada na Evidência.

Enquanto continuarmos a basear os nossos conhecimentos em opiniões e consensos e a ignorar ensaios clínicos e meta-análises, estaremos a agir de forma desatualizada, desinformada e, por vezes, até perigosa.

Não te fiques por «Falei com um médico e diz que isso é perigoso para a saúde» ou «Falei com um especialista e diz que isso é a cura absoluta».

Antes tínhamos de nos basear em modelos animais, experiências, anedotas e na lógica evolutiva, mas com toda a evidência que temos hoje e os estudos de qualidade, não nos podemos contentar com o que havia antes.

Se tiveres alguma dúvida ou quiseres acrescentar algo, esperamos por ti nos comentários!